Jornalismo Online e Plantas vs Zumbis
Semana passada, uma amiga comentou sobre o jogo Plantas vs Zumbis, mas como ela é daquelas que envelheceram apenas na carteira de identidade achei se tratar de uma baboseira. E é, tirando o fato de que cultivar plantas para impedir que mortos-vivos cheguem na sua casa é viciante.
Já no início dessa semana, a Rede Globo lançou o jogo Missão Bioma, cujo desafio é proteger o meio ambiente e é uma cópia camuflada do jogo dos zumbis. Porém, ganhou destaque por um fator: ser um newsgame.
Os newsgames estão entre as alegrias que o jornalismo online é capaz de proporcionar. Tratam-se de jogos baseados em notícias ou acontecimentos em curso, que têm deixado o jornalismo mais leve, descontraído, interativo e lúdico. Alguns exemplos:
- Revista Superinteressante - No Brasil, é o veículo que mais trabalha o modelo e disponibiliza vários jogos do tipo. Vale a pena explorar;
- G1 – O portal de notícias criou o nanopops de política internacional para testar o conhecimento sobre os principais líderes mundiais;
- Estadão – No país do futebol, o esporte não podia ficar de fora. O jornal criou o Desafio de Craques, uma espécie de Super Trunfo de atuais e antigos ídolos do futebol;
- Wired – A revista americana criou o Cutthroat Capitalism, um jogo online sobre a ação de piratas na Somália, que funciona como um complemento de uma matéria sobre o assunto;
- CNN - Que tal uma partida de tênis com os pré-candidatos à presidência dos EUA? É a proposta do game Presidential Pong;
- El Pais – O periódico espanhol criou o Play Madrid, sobre os ataques terroristas na capital em 2004;
- The New York Times - Para falar sobre a falta de fiscalização na importação de alimentos nos EUA, o jornal lançou o newsgame Food Import Folly.
Se alguém duvida que o futuro do jornalismo é digital, melhor mudar de ideia, viu.
Para ler mais sobre jogos e jornalismo online, é visita obrigatória o blog NewsGames e o blog do Thiago Dória, que está bombando na divulgação do formato por aqui. Ah, e tem também o livro “Newsgames – Journalism at Play”, coescrito por Ian Bogost, cofundador da Persuasive Games, empresa pioneira na produção de newsgames lá fora.
Por que Woody Allen é essencial para o Jornalismo
Para ler ouvindo: Tritsch Tratsch Polka
Acabo de voltar de férias (meu período de ócio trabalhista não durou tanto quanto o do blog, claro) e entre os saldos mais que positivos desse hiato está Woody Allen. A maioria dos jornalistas já deve ter assistido – ou escutado falar – sobre o filme Scoop – O Grande Furo, por interesse próprio ou por pressão de outros coleguinhas. No meu caso, o título estava hibernando há tempos na minha lista cinematográfica. Perda de tempo.
Além da história surreal de um furo jornalístico descoberto por um jornalista logo após morrer, três motivos fazem o filme ser obrigatório: Scarlett Johansson, linda e nerd como a destemida (e ingênua) estudante de jornalismo que recebe a mensagem do além; Hugh Jackman, charmoso e sonso no papel do aristocrata inglês suspeito de ser um procurado serial killer; e, claro, Woody Allen, que além de dirigir a obra ainda interpreta com maestria o cínico mágico que vira companheiro de investigação da personagem de Scarlett, já que é em um dos seus shows que a estudante recebe a primeira “visita” do falecido jornalista.
Sem deixar de enfatizar todas as ironias que a investigação jornalística carrega, Scoop aborda a fidelidade à notícia, na saúde e na doença, na riqueza e na pobreza, nem que a morte separe. E o filme é uma narrativa de 96 minutos deliciosa, divertidíssima e cheia de diálogos ácidos, cínicos e sarcásticos que são a cereja do bolo das produções de Allen. Uma história capaz de encantar qualquer espectador e reencantar todos os que escolheram o cruel apaixonante ofício do Jornalismo. #ficaadica
Ainda não assistiu ao filme? Confira o trailler.
Sete exemplos para entender os efeitos do crowdfunding no Jornalismo
As informações se espalham tão rápido que a essa altura qualquer habitante do ciberespaço já sabe o que é crowdfunding (se não sabe, vale dar uma olhada aqui). Mas, o interessante é observar como esse modelo de negócio, que nada mais é do que a tradicional “vaquinha”, está direcionando o Jornalismo online para um futuro cada vez mais colaborativo.
Para entender melhor, sete iniciativas exemplificam os efeitos dessa tendência de financiamento no trabalho da imprensa e na produção de conteúdo para a internet.
1. Spot.us – Pioneira no assunto, a plataforma estabelece uma relação ganha-ganha – tanto financeira quanto de conhecimento – entre jornalistas e “doadores”. Os leitores interessados em algum assunto específico sobre a sua comunidade financiam profissionais dispostos a produzir uma reportagem a respeito. E tem mais: depois que o conteúdo é produzido, o Spot.us se empenha em vender a matéria para alguma mídia local e o dinheiro recebido é enviado àqueles que a financiaram. Legal, não? Caso o conteúdo seja descartado, os valores são devolvidos aos respectivos doadores ou redirecionados a outros projetos de interesse dos mesmos. O New York Times, por exemplo, já veiculou uma matéria nascida no Spot.us.
2. J’aime l’info – Idealizada pelo grupo de jornalistas franceses do site Rue89, essa plataforma de crowdfunding conta com cerca de 100 jornais e blogs cadastrados. Os leitores podem financiar os projetos jornalísticos do site que lhes interessam e/ou fazer doações para as diversas iniciativas no canal (a colaboração pode ser de três euros ou em pacotes mensais).
3. Ajude Um Repórter - Apesar de não ser uma plataforma de crowdfunding, o projeto do relações-públicas Gustavo Carneiro foi concebido graças à “vaquinha” online. Mais de 180 pessoas contribuíram com a campanha realizada no Catarse, que precisava de 15.000 reais para tirar a ideia do papel e conseguiu arrecadar 695 reais a mais. A proposta do Ajude Um Repórter é conectar jornalistas e produtores de conteúdo a fontes e personagens para matérias e outros conteúdos em produção (quem é da imprensa sabe como isso ajuda). O serviço é gratuito e o levantamento é todo feito por crowdsourcing.
4. Global For Me – Integrante do grupo Global Radio News Ltd., o site aposta no financiamento colaborativo para a realização de coberturas jornalísticas mais aprofundadas, a gosto do freguês. Dessa forma, os leitores escolhem um assunto que os interesse e pagam para que o jornalista produza o conteúdo.
5. Porto24 - Apostando no Jornalismo hiperlocal, o veículo português se propõe a realizar coberturas específicas sobre a comunidade do Porto, a partir da contribuição financeira dos leitores. Quando a verba arrecadada alcança o valor mínimo estipulado (que engloba o pagamento de um jornalista externo ao Porto24 e despesas necessárias), o conteúdo começa a ser produzido. Assim como o Spot.us, caso a reportagem não seja desenvolvida, os financiadores podem pedir o reembolso do dinheiro ou autorizar a utilização do mesmo em outro trabalho.
6. Chi-town Daily News – Na mesma linha do Porto24, o site de notícias hiperlocal de Chicago passou a publicar um box no final de cada matéria, divulgando quanto custou a pesquisa, a redação e a edição daquele conteúdo. Assim, os leitores podem deixar suas contribuições e incentivar a produção jornalística de qualidade. O editor, Geoff Dougherty, acredita que essa é uma forma de deixar claro aos leitores o quanto custa fazer bom Jornalismo.
7. Payyattention – Para deixar o financiamento de conteúdo mais divertido, Stephen Farrell resolveu adicionar elementos sociais ao crowdfunding. No final de cada conteúdo publicado no payyattention é exibido um ícone para que o leitor faça doações, caso tenha gostado da matéria, e fique sabendo quem mais financiou o mesmo conteúdo e de quanto foi a contribuição.
Ou seja, para aqueles que querem tirar um projeto do papel e não têm dinheiro (jornalistas sabem muito bem do que se trata), o crowdfunding se tornou uma interessante alternativa. Mas, alguns “coleguinhas” ainda acham que a produção de conteúdo colaborativo é uma ameaça à profissão… E você, acha que a função do jornalista está se tornando irrelevante com a produção de conteúdo digital?
Para continuar lendo:
The impact of crowdfunding in journalism – Case study of Spot.Us
Eu não sou mais jornalista?
Para ler ouvindo: Be Yourself – Audioslave
Esses dias tive o alívio prazer de ler o desabafo da Catarina Barbosa, do Manual dos Focas, sobre o dilema que persegue (ou já perseguiu) grande parte dos jornalistas que se enveredam pelos caminhos da web: será que estou perdendo a minha essência de jornalista? O coleguinha do online que sonhava com hardnews e nunca passou por essa crise existencial que atire a primeira pedra! Fase superada, vem o vício pelo trabalho, difícil se imaginar fazendo outra coisa. Mas, gostei tanto do artigo que publico aqui, para reflexão.
Artigo: Eu não sou mais jornalista?
Por Catarina Barbosa, da equipe Manual dos Focas, em 10/03/2011
Você já parou para pensar que tipo de jornalista você se encaixa ou que tipo de jornalista você quer ser? O mercado abre um leque de possibilidades para a profissão: tem jornalista cultural, político, setorizado no mercado financeiro, assessores de imprensa (sim, eles são jornalistas), entre outros.
Quando me formei, eu queria ser repórter. O meu primeiro estágio, coincidentemente, foi como repórter em uma rádio, então – na época – tinha certeza de que era isso que eu queria. E eu não sonhava em ser qualquer tipo de repórter. Eu queria ser repórter de factual. Assim, eu estaria em contato com todo tipo de jornalismo. Hoje, passaram-se quatro anos desde o meu primeiro estágio e eu sou Analista de Mídias Sociais, em uma agência de publicidade paraense. Além disso, escrevo para uma revista chamada Leal Moreira, faço a revista do Banco da Amazônia e também a da Caixa de Assistência dos Advogados.
Em outras palavras, não sou repórter de hardnews. Pensei várias vezes no que poderia ter dado errado. Se eu tinha realmente feito as escolhas certas. Comecei a trabalhar com mídias sociais, porque é o que eu pesquiso academicamente, mas ao longo do tempo, pensei estar perdendo a minha essência de jornalista.
Conversando com um professor sobre o meu dilema, de ser jornalista das mídias sociais (categoria, que até então não existia), ele disse: “O mercado não precisa de jornalistas, publicitários ou marqueteiros. O mercado procura um profissional multi. Em alguém que saiba fazer um pouco de tudo. Quem não se atualizar, está fora”.
De prontidão, achei que ele estava exagerando ou – no mínimo – sendo amigo, já que eu estava cheia de dúvidas. Entretanto é notório que quanto mais conhecimento você tiver, mais possibilidade terá de inserção no mercado. Acredito que o interessante para quem está começando é aproveitar as oportunidades. Eu trabalhei em rádio, TV, impresso, assessoria e revista. Teoricamente, todas as áreas do jornalismo.
Sendo assim, a minha dica de jornalista fora do eixo, é que se você estiver na faculdade experimente tudo o que tiver curiosidade e se possível o máximo de áreas possíveis, porque depois disso, você irá apenas por em prática o que aprendeu. Assumindo suas próprias decisões, sejam elas boas ou não. E sinceramente, o que um jornalista aprende em redação ou assessoria é útil em qualquer área de uma empresa, seja ela real ou virtual.
Matérias na web: tamanho do texto é documento?
Para ler ouvindo: Giulia y Los Tellarini – Barcelona
“Essa matéria é super importante. Ela deve ser grande, consistente…”. O “grande e consistente” ficou ecoando na minha mente por bastante tempo depois da reunião de pauta. Ora, estamos falando de internet, como tais adjetivos podem ser complementares?
Essa é uma daquelas discussões eternas da redação online: o tamanho do texto jornalístico na web. E aqueles seres que têm como habitat natural a área de conteúdo de uma empresa em algum momento terão que aprender a conciliar os cortes impiedosos do chefe e a ingênua filosofia “tamanho é documento” do cliente.
O canadense Crawford Kilian, um dos gurus do webwriting, acredita que as pessoas dificilmente lêem mais de dois blocos de texto de até 100 palavras e, assim, o tamanho máximo dos parágrafos deve ser de 75 caracteres. Pensando em usabilidade, rolar demais a página para ler um texto não é lá muito agradável mesmo. Além disso, escaneabilidade e absorção mais rápida da informação são benefícios que um texto bem sintetizado oferece à leitura.
Entretanto, no dia a dia, o tamanho ideal para o texto é o tamanho do bom senso. Primeiro que objetividade está longe de ser sinônimo de informação incompleta; segundo que, mesmo na internet, o texto deve continuar respondendo àquelas seis perguntinhas básicas do Jornalismo. Sem contar recursos como subretrancas, infográficos, fotos e vídeos, que ajudam a quebrar o tamanho e o peso do texto na matéria.
Ou seja, apesar de acharmos que nossa produção jornalística espetacular deveria dispor de espaço ilimitado, não podemos esquecer a experiência que o usuário terá lendo-a. Pior do que ter um texto cortado é saber que o leitor não conseguiu chegar até o final.
A discussão sobre o tamanho do texto jornalístico na web continua:
Dicas de redação jornalística na web
Como não perder o foco e produzir conteúdo de qualidade
Para ler ouvindo: Orinoco Flow – Enya
Há dias em que você senta em frente ao computador e o cursor fica lá, piscando solitário em um fundo branco. E pior, além da falta de imaginação você não consegue se concentrar para escrever nada que preste. Você já parou para reparar se a página do seu facebook está aberta, se os updates do twitter estão piscando constantemente na tela, se o seu alerta de novos emails funciona sem parar ou se você está com mais de três abas abertas no seu navegador?
Pois é, o seu (ou melhor, o nosso) problema podem ser os “gastadores de tempo”. É assim que Kiesha Easley chama essas miudezas que nos levam para bem longe do conteúdo que estamos produzindo. Ela cita oito itens como principais:
- Checar e-mails constantemente;
- Checar com frequência os updates do Twitter;
- Sempre achar que deve ficar mudando algum detalhe no seu site;
- Ficar testando todo plug-in da sua plataforma de publicação que alguém recomendou, mas que depois com certeza você irá deletar;
- Checar constantemente os updates no Facebook;
- Ficar checando as estatísticas do blog toda hora;
- Ficar conferindo toda nova rede social ou site de bookmarking;
- Tentar estar em todos os lugares da internet ao mesmo tempo.
Se identificou, não é? Então, como afastar estas “interferências”? Seguem as dicas:
- Faça um planejamento de produção de conteúdo e não deixe que nada fure o que você planejou;
- Escreva por um determinado período de tempo sem interrupções;
- Feche todas as abas e janelas abertas no seu computador. Não adianta minimizar, tem que fechar!
- Cheque seus emails com uma média de três vezes por dia. Mantenha essa disciplina;
- Confira a estatística do seu blog semanalmente e não a cada minuto;
- Reserve um tempo apenas para checar o Twitter, Facebook e outras redes sociais. Estipule um limite de tempo para isso;
- Esteja onde você realmente pode estar, fazendo o que você realmente pode fazer.
Então, que tal fazer um teste? Eu já fiz e não é que a inspiração voltou rapidinho?

